Editorial:

 

No contexto de uma frente comum para a organização da resistência (não armada) à progressiva globalização dos gostos e à galopante institucionalização dos modelos de criação e divulgação artística, a associação chili com carne, em sintonia estratégica com a Frente Fanzinista Internacional tem o prazer de publicar esta antologia que dá pelo nome de Mutate & Survive e que se quer inoficialmente representativa de um espírito de livre e desinteressada cooperação entre artistas sedeados em contextos geo-estratégicos diversos mas unidos pelo objectivo comum de mostrar um trabalho animado pela independência e pelo incondicionalismo estético, apresentando-se mesmo como "alternativa" de uma certa subnutrição que tem vindo a dominar os discursos e os métodos deste princípio do princípio do terceiro milénio.

O alcance global e intercontinental desta publicação parece-nos suficientemente demonstrativo de uma certa militância voluntarista que se quer empenhada na sabotagem crítica e criativa dos sub-modelos comerciais maniaco-oligopolizantes, pegajosos e malcheirosos por natureza, que têm vindo a tomar conta de tudo aquilo que fazemos e, até mesmo, do modo como conduzimos as nossas vidas. Debord não se enganava quando afirmou que "num mundo uniforme o exílio é impossível ".

É verdade que ignoramos em absoluto qual possa vir a ser o futuro do Fanzine entendido como um sistema editorial-cultural marcado pelas noções de independência e autonomia, isto é, propondo-se outras prioridades que não as do imediatismo pirotécnico do pseudo reconhecimento comercial. Contudo, não é menos verdade que as iniciativas locais se têm vindo a multiplicar e a internacionalizar, mostrando sinais de vitalidade inequívocos e abrindo as portas para a formação de uma certa inteligência colectiva no que respeita à organização e produção dos discursos artísticos.

Afinal a arte é também "uma força indirecta da mudança, porque nos fornece uma âncora contra a tragédia humana. Neste sentido contribui para um mundo reconciliado " (Jesse - Operation Ivy).

Resta-nos apenas agradecer a todos aqueles que incondicional e militantemente responderam ao nosso apelo contribuindo preciosamente para dar corpo a este projecto, e esperar que ele venha a ter as propriedades de contágio que pretendemos imprimir-lhe.

Frente Fanzinista Internacional, 2001


Within the context of a common front for the organization of a (non armed) resistance to the progressive globalization of taste and the galloping institutionalization of artistic creation and it's means of transmission, the Chili Com Carne Association in strategic alignment with the International Fanzine Front has the pleasure to publish this anthology named Mutate & Survive, which intends to unofficially represent a spirit of free and altruistic cooperation between artists established in different geo-strategic contexts, but united by the common goal of showing a work animated by independence and unconditional aesthetics, which presents itself even as an "alternative" to a certain sub nutrition that has been dominating the discourse and method of this beginning of the beginning of the third millennium.

The global and intercontinental span of this publication seems sufficiently demonstrating of a certain voluntarist militancy which aims to be engaged in the critic and creative sabotage of the existing manic-oligopolising commercial sub-models, by nature sticky and smelly, that have been taking over all that we do and, even the way we live our lives. Debord was right when he claimed that "in a uniform world exile is impossible".

It is true that we absolutely ignore what future may come of the Fanzine, understood as a publishing-cultural system dominated by the concepts of independence and autonomy, that is, setting itself other priorities rather than the pyrotechnical immediativity of pseudo commercial recognition. However it is no less true that local initiatives have been multiplying and internationalizing themselves, showing clear signs of vitality, and opening space for what we may call a certain collective intelligence in what concerns the production and organization of an artistic discourse.

Art is after all an "indirect force of change, because it provides an anchor against human tragedy. In this sense it works towards a reconciled world" (Jesse - Operation Ivy).

We would like to thank all those that unconditionally responded to our appeal by giving their precious contribute to this project, and hope that it will have the contamination properties that we intended in he first place.

International Fanzine Front, 2001